terça-feira, 20 de dezembro de 2011

CARTA



Não se sabe quanto tempo esperaria por si, pois ultimamente perseguia desesperadamente o medo de aceitar o que precisa entender.  A vida agitada lhe toma o tempo necessário para não pensar. E precisa disso. Mas às vezes não é suficientemente rápida para impedir suas especulações.

E no final da tarde, ela escreveu. Escreveu uma carta que não foi terminada. Uma carta que ainda está em sua mão e que ainda toca nas notas que seu coração canta em noites amarguradas.

Sim. Ainda existem notas que ela gostaria de extinguir. De um sonho forte. Forte como uma realidade, gravada em lugares que embora estivessem nela, ela ainda não os conhecia ou não os compreendia e isso fazia sua alma sangrar de cansaço, cansaço de às vezes sorrir e às vezes chorar e ainda assim não alcançar suas verdadeiras respostas. Respostas pesadas demais pra aceitar. Respostas dela. Só dela, e de mais ninguém.
E hoje mais uma vez releu a carta.
Releu e continuou sem entender:

“As pessoas são difíceis, o que parece é que ninguém realmente preocupa-se com o outro. Corro entre meus caminhos e ainda não me encontro. Eu bem que queria falar, tudo o que ainda ficou guardado.
Sim; Talvez palavras ajudassem a sarar as últimas cicatrizes. Mas as palavras às vezes faltam. Palavras às vezes são vazias ou às vezes o que sentimos ultrapassa o que tentamos expressar.
Olho a noite estrelada; Vejo a lua inundando os olhos dos apaixonados.
E o amor?
Será que já amei?
Será que fui amada?
O que será o medo que fica depois do fim?
O que será a vontade de ainda dizer:
Estou aqui.
O que será ainda?
Será que ainda?

Só sei que sinto saudades, um saudade esquisita, saudades das coisas que imaginei das coisas que vivi e saudade de coisas que não aconteceram. Tem coisas que são tão fortes dentro da gente que o imaginado parece ser real e você de repente esquece o que viveu e o que você criou. Sinto saudade! E apesar de não ter desejado essa saudade, aprendi a conviver com ela: Sem mágoas, nem dores, nem com expectativas. È apenas um sentimento meu, um sentimento dos meus corredores ainda embaralhados. Certamente um dia não sentirei falta desse momento, mas agora esse momento, esse meu momento apesar de confuso é de paz. Estou bem e feliz!”


E mais uma vez guardou a carta. Não está preparada ainda para responder a si mesma. Amanhã pretender reler mais uma vez. Sabe que ainda encontrará suas respostas.

Precisa resgatar-se e tentar se entender, pois o mistério de não se entender não a faz muito bem, mais como os mistérios lhe cativam, continua dia a dia perscrutando-se. Hoje ainda mistura-se entre devaneios e razões e tenta juntar pedaços de cacos de um vaso quebrado. Tenta sorrir, apesar dos cortes. E como se fosse um bom oleiro tenta fazer do vaso quebrado outro vaso. Às vezes está exausta, mas não tem pressa; Equilibra-se e sorrir ao acordar pela manhã e contemplar um novo dia. Pois os dias e os dias e dias não param e talvez vez por outra seja preciso apenas olhar-se no espelho e perceber que a capacidade de ser feliz sempre estará conosco. Hoje, ainda não terminou a carta. Continuará sua escrita; Um pouco amanhã, um pouco depois e escreverá por mais um pouco, só mais um pouco.


Lene Dantas

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