segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

A carta


Ela contou!!!

Sorridente contou três vezes seguidas...
E não acreditava, não acreditava que era realmente uma carta de amor, e uma carta com três páginas, ela repetia e contava.
Olhava a carta, mas não tinha coragem para ler, só a olhava e dizia: Mais um pouco, só mais um pouco. Ameaçava começar:

“Meu amor...”

Já parava e olhava a carta e pedia a si mesma mais um pouco de tempo, só mais um pouco.

Pegou a última página, leu o final onde estava escrito a palavra saudades , entonteceu, enlouqueceu apertou a carta contra o peito e a segurou. O gosto de segura-la é como se fosse maior do que alegria de lê-la, como se quando a lesse perdesse o gosto bom do que estaria ali. Ao mesmo tempo achava que se a lesse ela despertaria, sim era um sonho e despertaria e estaria mais uma vez aguardando noticias.

Nessa perplexidade, ainda sem acreditar que depois de tanto tempo, tanto tempo o tudo esperado acontecia; Mas o que teria ali? Seria mesmo uma carta de amor? Seria uma despedida? Um tratado de amizade? De repente a tristeza parou em seus olhos numa dúvida sombria, mas abria a carta e lia: “Meu grande amor” então contava as páginas, três páginas inteiras, não poderia ser nada ruim. Teria de ser uma carta de amor. Com esse turbilhão de sensações foi ao quarto olhou-se no espelho, examinou o cabelo, suas mãos, seu colo, examinou-se e sorriu. Era a presença dele que a fazia voltar a viver, até imaginava que ele a viu quando recebeu a carta. Como se ele soubesse que ela mordeu os lábios e com os passos descompassados, recostou-se ao muro e pôs as mãos no coração, como se ele imaginasse seu cheiro, como se visualizasse seu sorriso, como se o seu coração em uivo de felicidade, houvesse gritado o seu nome e ele sorrindo respondesse com a carta. Sim a carta que estava em suas mãos agora.

Ainda surpreendida foi ao jardim e sentou-se, as flores ansiosas esperavam ouvi-la ler para saber o que estava ali. Mas ela tremia, tremia e tremia, pensou em contar para alguém, pensou em dividir sua alegria, mas tinha medo que alguns desacreditassem de sua felicidade que a encorajassem a nem ler o que seguia ou que apenas dissessem que tudo ali escrito eram palavras soltas e sem importância. Nesse impasse levantou-se e dirigiu-se a sua sala, sentou-se na cadeira, olhou mais uma vez a carta, olhou, recostou a cabeça sobre a mesa e adormeceu com um sorriso bobo, meio de lado. Com o sorriso dos enamorados.

Lene Dantas