sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Doce Lembrança





Ora, tudo ainda estava ali. Mas só agora, é que tudo estava claro. Ainda apertava-se em alguns fragmentos de lembranças, mas essas eram recebidas com tranqüilidade. No labirinto que se perdeu começou a achar-se, tudo era mais suave, mais feliz.

Hoje se lembrou de algo como planejar o desejado. Certa vez, leu que deixar de desejar é a melhor solução para sentir a paz que os que têm expectativas frustradas não têm.

”Sim; Não se deve planejar o desejado.”

Não sabia se estava certa, mas decidiu seguir assim, embora á um tempo atrás não tivesse forças para desejar não desejar. Sorriu! Sorriu, pois se lembrou. E começou a contorcer-se em saber se fez bem em desejar ou não. Então, para não sofrer com a ansiedade do que já passou, apenas resolveu seguir cultivando, regando e quem sabe colhendo.

A vida agitava-se ultimamente deixando a inércia de dias. O que era bom, pois facilitava a escolha das portas. A saída de suas prisões. Essa poderia ser sua chance de descobrir-se; No entanto, de certa forma, isso a amedrontava e secretamente calculava o que iria encontrar. Apertou-se mais uma vez em seus pensamentos inúteis e fúteis. Pensamentos que agora não cabiam mais no que ela devia construir. Então, como por um impulso, balançou a cabeça para livrar-se deles. Deixando-os.

Era incrível como conseguia saber o que deveria ser, mas era intuitivamente impulsiva em suas ações. Corria o tempo todo, até para fazer coisas simples. Corria, mesmo quando precisava ir devagar.

Sim. Mas e agora que tudo deixou de ser? Agora! A música toca! A música toca e ela é a lembrança de um tempo doce, doce. Um tempo doce, que poderia ser tranqüilo. Sendo assim, para não lembrar-se da agitação dos dias, o melhor é apenas lembrar-se do som suave da música. E repetia algumas vezes:

"O som da canção toca meu coração e traz uma doce lembrança.”

Agora é o tempo de lembrar apenas do doce.

Prosseguiu caminhando; Dessa vez sem calcular, dessa vez sem expectativa. E lá, onde não esperava sentir o aroma das flores, tornou-se uma delas.

Lene Dantas



domingo, 16 de outubro de 2011

NOTAS





Quando caminhava tentava ouvir seus passos. Inútil, inútil... Nada ouvia e nem sabia ao certo para onde devera ir.

E sem ao menos perceber o dia criara forma e tinha passos que a levavam.
Não podia conter a emoção de reparar-se, sim ela reparava-se cada dia e isso a deixava cheia de dúvidas. Quando partia ainda olhou para trás, mas lembrou-se que os rastros deveriam ser apagados e seguiu numa estrada inteiramente oposta a que havia projetado.

E assim viu que a saudade toca o coração de uma forma impressionante, e não importa onde se esteja, ou num parque ou num quarto escuro o nosso mundo está conosco. E como um eco, a saudade soa como um vento que se perde.  

Sendo assim achou melhor encarar tudo, cada passo, cada dia como o inicio. A renovação.

E ao olhar as estrelas, como quando era criança, tentou contá-las até não saber mais o que contava, foi assim que resolveu escrever e falar de tudo o que vinha sentindo. E notas foram surgindo, notas de tudo o que se passava em seu coração.

As letras juntam-se e em cada frase
Vem um mistério, um mistério a se desvendar
Um pouco de mim, um pouco de todos
Um pouco do mundo.
Descobrindo entre letras a forma
Que quero viver
Lançando a fome que tenho
Matando a sede de saber o que sou.
Na calmaria vem revolta,
Na revolta vem calmaria,
Na tempestade sou leve,
E no sonho
Sou o que quero ser.

Nas linhas viajava dentro de si. Certa vez, falando consigo mesma, disse:

“E se tudo o que pensamos se tornasse realidade. O que eu pensaria agora? Esperou um pouco, concluindo.

“Certamente, descobriu um de seus maiores desejos.”

 Foi assim, quando ela descobriu-se. Foi preciso um choque pra que ela entendesse onde ainda poderia chegar. E no escuro, ainda via cores e por mais que temesse, decidiu não desistir.


LENE DANTAS