domingo, 16 de outubro de 2011

NOTAS





Quando caminhava tentava ouvir seus passos. Inútil, inútil... Nada ouvia e nem sabia ao certo para onde devera ir.

E sem ao menos perceber o dia criara forma e tinha passos que a levavam.
Não podia conter a emoção de reparar-se, sim ela reparava-se cada dia e isso a deixava cheia de dúvidas. Quando partia ainda olhou para trás, mas lembrou-se que os rastros deveriam ser apagados e seguiu numa estrada inteiramente oposta a que havia projetado.

E assim viu que a saudade toca o coração de uma forma impressionante, e não importa onde se esteja, ou num parque ou num quarto escuro o nosso mundo está conosco. E como um eco, a saudade soa como um vento que se perde.  

Sendo assim achou melhor encarar tudo, cada passo, cada dia como o inicio. A renovação.

E ao olhar as estrelas, como quando era criança, tentou contá-las até não saber mais o que contava, foi assim que resolveu escrever e falar de tudo o que vinha sentindo. E notas foram surgindo, notas de tudo o que se passava em seu coração.

As letras juntam-se e em cada frase
Vem um mistério, um mistério a se desvendar
Um pouco de mim, um pouco de todos
Um pouco do mundo.
Descobrindo entre letras a forma
Que quero viver
Lançando a fome que tenho
Matando a sede de saber o que sou.
Na calmaria vem revolta,
Na revolta vem calmaria,
Na tempestade sou leve,
E no sonho
Sou o que quero ser.

Nas linhas viajava dentro de si. Certa vez, falando consigo mesma, disse:

“E se tudo o que pensamos se tornasse realidade. O que eu pensaria agora? Esperou um pouco, concluindo.

“Certamente, descobriu um de seus maiores desejos.”

 Foi assim, quando ela descobriu-se. Foi preciso um choque pra que ela entendesse onde ainda poderia chegar. E no escuro, ainda via cores e por mais que temesse, decidiu não desistir.


LENE DANTAS

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