domingo, 31 de julho de 2011

A BOLSA



E tudo é sensação de um tempo em que ela ainda sorria à toa, quando as palavras que mais lhe deixavam alertas eram as estranhas.  Carregava na bolsa um bloco de papel, uma caneta bic azul, um espelho quadrado com bordas alaranjadas e um batom sabor de morango com um tom escarlate, daqueles que parecem fazer sangue na boca. Mas a boca, já tinha sangue por si, pois as palavras que engoliu a vida toda a deixaram com a boca ao relento, recebendo a brisa que às vezes vinha quente e às vezes vinha fria. E nunca falava, nunca falava o que queria falar na hora certa. Sempre ficou o depois na sua garganta, sentia-se cansada de engolir interrupções abruptas. Mas ainda vivia seu presente anonimato, engolindo o fel e sua boca seca a cada dia vai fechando sem mesmo ela perceber. Agora se perdeu os risos, perdeu-se o caminho, perdeu-se nela. Quando se viu era partida ao chão em partes. Partes que parecia não juntar. A mente tinha cantos escuros que rapidamente multiplicavam-se e havia muros altos que a cercava e por mais que tentasse fugir, sempre se deparava com os muros. Tinha nos olhos um mistério, que a deixava terna e ao mesmo tempo selvagem. Perdia-se no que desejava ser, no imaginário da sua mente que sempre encontrava lugares mágicos, onde ela flutuava, onde encontrava sorrisos e perfumes; Era fascinada em perfumes e decorava cheiros e assim escolheu seu primeiro namorado, pelo o cheiro, o cheiro do bombom de chocolate que ele a entregou. Até hoje, não esquecera o cheiro do bombom, mas dele esqueceu-se a muito.

Naquela manhã, sentou diante do espelho, fantasiando esquecer-se do passado, assim como nos filmes que assistia e apenas algumas palavras eram capazes de fazer esquecer-se. Quis saber o que ela era e já que não encontrava respostas, pensou se não seria bom, perguntar para os mais próximos. Lembrou-se da mãe, mas essa possivelmente a encheria de elogios; Lembrou-se do pai que a encheria de cobranças. Desistiu. Levantou-se. Foi para loja onde trabalhava há alguns meses e entrou com aquela sensação de que ninguém perceberia sua presença. Passou rapidamente por todos, com um tímido bom dia, pouco notado, exceto por Chagas que apaixonou-se por ela desde o primeiro instante. Ele nada entendia do que ela enfrentava agora, mas gostava do jeito que mexia o cabelo e do jeito que sorria e gostava de ouvi-la, mas como ultimamente ela calou-se, ele sentia falta do jeito que ela contava as histórias. Hoje Alda chegou desfigurada, chegou com os olhos baixos e ele sabia que ela não estava bem. Na hora do almoço, mexeu a comida para lá e para cá, era como se observasse seu mundo, toda hora parava e examinava o arroz, o frango, o feijão e como se dividiam no prato e como o cheiro de tudo isso junto, lhe despertava um apetite que hoje ainda não chegou. Olhava as pessoas ao redor e pareciam tão felizes ou tão conformadas com tudo que tinham. Ela não estava feliz e nem conformada com o que tinha. Sentia um medo de aceitar sua realidade, e toda hora fugia dela, então começou a brincadeira de pique, quando ela cansava e parava a realidade mais uma vez lhe dizia um olá. Dizia a si mesma que nada aconteceu e que tudo o que tinha que sumir, sumiria de sua mente. Mas quando o silêncio chamava as estrelas e os olhos fechados lhe mostravam o caminho do sono, ela lembrava. Então decidiu deitar-se apenas quando estivesse tão cansada que as pálpebras não agüentasse sustentar-se e quando as pernas sozinhas se movessem até o sossego do leito, mas ainda assim, mesmo caminhando e dormindo, cansada de tanto andar de um lado para o outro, o silêncio da noite e o sossego do seu sono lhe trazia o que não queria. E assim quando dormia, quando tudo parecia sumir, ela sonhava. O sonho repetia-se, o sonho era sua realidade que precisava sumir. O sonho era o seu tormento.

Perguntava-se o que fazer. Como livrar-se da avalanche de sentimentos que não queria sentir. Então, certa manhã cansou-se e resolveu desistir de lutar e aceitar que não podia contrariar o que lhe oprimia, mas lutar pára sorrir e ser feliz. Começou sossegadamente a plantar suas flores, e cada vez deixava seu jardim mais colorido e empenhou-se em falar, falava como quem canta, falava o que estava dentro da alma, falava sobre sua fome. Viu que estava na hora de amar-se. Talvez algumas roupas novas, ou algumas fotos novas. O que será que faz uma mulher feliz? Perguntava-se. Escolheu uma bolsa grande e bonita de cor bege e resolveu colocar tudo, o que uma mulher segura precisa. Nunca foi segura, mas assistia tantos filmes, tantas novelas e minisséries e lia tantos livros que de repente podia fazer o que tantas personalidades faziam. Podia de gata borralheira virar cinderela e prometeu a si mesma que meia noite ainda seria bela e mesmo que os trapos da roupa ficassem amostra ainda assim sorriria. E foi juntando maquiagem e foi juntados livros, perfumes e tudo o que ela achou que sempre devia está com ela, até a agulha de crochê e o novelo de lã com fios dourados que comprou semana passada para fazer um cachecol igual ao da recepcionista do seu ginecologista. Sempre que ia pra uma consulta preocupava-se como deveria está , como devia maquiar-se pois tudo lá parecia tão perfeito e tudo naquela moça era tão absurdamente simples e belo que a deixava sem graça desde a hora em que ainda entrava vestida até a hora que tinha que expor-se, então sempre dois dias antes ia ao centro e comprava lingerie, mas o seu temor começava quando olhava a recepcionista e sentia-se invisível. Logo depois que arrumou a bolsa resolveu sair, entrou no carro sentindo-se uma heroína e antes mesmo de fazê-lo funcionar, espirrou colônia pra que tudo cheirasse como ela, retocou a maquiagem, tirou os sapatos e começou o seu caminho em direção ao mundo, ao novo mundo que ela queria conhecer. Cismou consigo mesma por saber aonde iria e o que iria fazer. Primeiro resolveu parar um pouco no mar. Desejava desde muito caminhar a beira mar, sempre via isso em fotos de revistas, e pensava se não podia ser como aquelas mulheres. E o que será que elas pensavam? Não sabia, mas hoje descobriria. Colocou o pé na areia e fotografou-se sorrindo. Tomou um pouco da areia do mar num saquinho que trazia e colocou na bolsa e se foi. Seu destino agora era as flores e procurou um jardim, um jardim que estivesse recheado de belas flores, encontrou e lá escolheu entre todas a mais bela e a levou.

Chegando a casa deitou-se na cama e por um momento sentiu-se leve. Depois de refazer o trajeto que seguiu, levantou, pegou sua bolsa e foi avaliar os seus tesouros, examinou o saquinho com um pouco da areia que trouxera e a flor, lamentavelmente inquietou-se ao ver que as arrancara dos seus mundos e que a areia já não era tão viva e nem tinha o cheiro do mar e a flor de bela murchava. Só assim enxergou-se.

Alda refez sua bolsa, percebeu que não era nenhuma atriz de cinema, percebeu que se esqueceu de perceber quem a amava, percebeu que se esqueceu de perceber-se. Percebeu que o sorriso vem, quando se aceita os fatos e deixou-se chorar quando preciso. Percebeu que era feliz apesar de triste. E viu que podia se sentir bonita e viu que muitos a amavam. A casa pareceu pequena e naquele momento ela precisava de espaço, desceu apressadamente para o jardim e procurou uma árvore aonde pudesse sossegar. O silêncio dos seus ramos trazia paz é como se orassem baixinho por ela. Sentou-se e juntou os pedaços de sua emoção, aos poucos foi despedindo-se de tudo que precisava esquecer. Fechou os olhos e os jogava ao ar, deixando a brisa leve levá-los e começou a lembrar apenas do que a fazia sorrir.

Hoje Alda pintou as unhas cada uma de uma cor diferente, pintou os cabelos de acaju, passou batom vermelho e escreveu no seu velho bloco de papel.

“Na minha bolsa, só levarei o que me faz feliz e o que me faz feliz é a cada dia ser eu mesma e cuidar melhor de mim”


Lene Dantas



sábado, 23 de julho de 2011

UM ADEUS A LUA



“O mar sempre encontra o rio. Sim. O mar sempre encontra o rio. Então, se minha vida é um mar, também encontrarei um rio.”

Traduzo minha vida assim, desde muito tempo. Talvez por isso que teimo em certas situações, querendo fazê-las certas ou boas para mim. Hoje caminhei lentamente na praia, olhei as ondas e o mar estava agitado. É interessante ver o movimento das ondas, como mudam, no entanto não deixam de ser belas. Queria está tranqüila e aproveitar melhor esse final de tarde, mas hoje tudo está fatigante, tudo está sem ritmo. Sendo assim, sei que preciso colocar música na minha vida.

É estranho quando olhamos pra dentro de nós, e mais estranho quando sabemos onde estão todos os erros. È estranho querer libertar-se e ao mesmo tempo prender-se. Assim como é estranho, idealizar um amor. Certa vez, alguém me disse que escolhia quando amava e quando deixava de amar. Não sei se isso é mesmo possível, mas comigo, até hoje não funcionou. Minhas emoções são intensas e sei que corro riscos por elas, sofro muitas vezes por isso, mas no fundo, gosto disso. Gosto de trilhar caminhos, de fazer planos, sonho acordada o tempo todo, sonho comigo e com pessoas que desejo a minha volta.

Essa tarde, o sol está indo e sua cor vibrante já está acalmando. Logo a noite chega e estou como medo de ver a lua, pois devo despedir-me. Por muito tempo, a lua foi minha confidente, por muito tempo deixei que ela, me inebriasse com sua beleza, e me fizesse viajar pra lugares que só ela podia mostrar-me. É difícil aceitar o fim de sonhos que queríamos. Ontem pensei sobre isso! Sonhos são bons e melhor ainda realizá-los. Mas quando o sonho é dividido, e não depende só de um, tudo muda. Pois, as pessoas mudam e mudam os sonhos também. Hoje devo dizer a lua que ela não mais realizará o seu sonho, sei que ela minguará e chorando falará que isso não deve acontecer. Mas a acalmarei e lamentavelmente a farei entender que o sonho é só dela, e que o sol aquecido em seu próprio calor, não pretende encontrá-la. Talvez a verdade a faça recomeçar, talvez reconhecer que o amor não existiu, não seja fácil, mas é preciso. Às vezes, a dor nos faz cair, e às vezes a dor nos faz viver, nesse caso, o mais sensato é viver, pois o errado não foi amar, não foi entregar-se ao amor, o errado também, não foi acreditar. Na verdade, a lua encantou-se e perdeu seu encanto. Encantou-se por um sol que nunca a quis para amá-la, mas a quis para provar a si mesmo a capacidade de suas conquistas. Talvez essa verdade tão dela, também seja minha.

Hoje algo diferente aconteceu, não sinto vontade de esconder-me e nem tão pouco vontade de juntar-me a lua no seu estado minguante. Certamente feridas demoram a sarar, mas sinto que saber a verdade, me libertou. Dúvidas nos predem a situações. Agora não tenho dúvidas, sei exatamente onde pisei, e sei quem foram meus amigos e sei quem foi os que me viraram as costas. Sei também, quem me quer bem, e consigo enxergar aqueles que só me ludibriaram com palavras doces, para mais tarde deixar minha boca amarga. Infinitamente amarga. Já faz um tempo que estou assim, com esse amargo na boca. Já não conseguia definir sabores. Já não sabia que gosto eu tinha. Preciso experimentar-me novamente. Vou lançar-me no mar. E pegar um pouco de sal. Vou despedir-me da lua com um pouco de sal e um sorriso nos lábios. Quando uma etapa termina, precisamos nos preparar para próxima, e preciso está bem, preciso ter cheiro de rosa. Ultimamente eu tinha perdido minha espontaneidade, ultimamente tinha medo de como comportar-me, calculava meus passos para não perder o por do sol e na hora exata sempre estava lá o olhando e o admirando, mas embora estivesse ali, não me sentia aquecida, seus raios sempre se direcionavam para outra direção. Muitas vezes eu chorei, mas não eram lágrimas de saudades, nem de amores não correspondido, eram lágrimas de despedida. Lágrimas de saber que o que você deseja é inalcançável, de saber que você fez tudo, mas caminhou em vão. Quando eu chorava, ainda assim lutava, e tentava chegar mais cedo e pegar o sol antes que ele partisse, mas quando isso acontecia, o dia ficava nublado e ele não aparecia. Ele não queria aquecer-me. Então comecei a refletir em tudo o que era feito, em tudo que era doado, e percebi que o amor embora forte, não sobreviveria sozinho. Quando não tem troca, quando não tem coração, quando nada existe, o amor chora. E chorei em noites chuvosas, e chorei olhando a lua e chorei esperando os raios do sol. Até perceber, que palavras só alimentam quando são verdades, e que nada adiantava ouvir promessas que não iriam se cumprir, e ouvir sentimentos que não existiam. Comecei a perguntar ao mar, o que eu era. Comecei a pedir o mar, que encontrasse meu rio, pois eu precisava misturar-se. O mar não respondeu.

Quando a noite chegou, o coração sangrava, mas, estava incrivelmente calma, pois já sabia o que iria acontecer. Não tinha dúvidas. Quando olhei a lua e tentei falar, ela apontou as estrelas no céu, e disse que eu nunca estaria só. Ela minguou  Eu mingüei.

Com os olhos nublados, engoli o sussurro. Por enquanto sentada na areia, ainda a olho pensativa, olho atentamente aos desenhos que crio dentro dela. Conto os passos devagar e aos poucos se retiro. Adeus lua amada, adeus ao colostro que encontrava em meus sonhos guardados por ti. Adeus ao que eu sentia quando tu me mostravas o reflexo do amor. Porém, te falo adeus por esse momento. Pois, mais tarde me renovarei e contarei novos segredos a ti, quanto estiver bela e novamente faceira. Mas agora, digo apenas.

“Adeus lua amada.”

Não olho mais a lua. Não espero os raios do sol. Mas estou construindo, um novo caminho cercado de estrelas. Construindo um dia feliz, uma noite feliz. Construindo um novo mar, um mar que certamente encontrará o rio.


Lene Dantas


sexta-feira, 8 de julho de 2011

Jura de Amor

                                     


Depois que tudo se aquietou, ela saiu e sentou-se em frente a casa, aos poucos foi juntando o silêncio do espaço e o silêncio dos seus passos. Quando conseguiu ordenar seus pensamentos embaraçados, ouviu barulhos e alvoroços, alvoroço e barulho. Não sabia ainda se preferia o silêncio, ou se preferia o alvoroço de suas idéias que gritavam interrompendo sua paz. Então resolveu fechar os olhos, ali sobre a grama verde, que começava a crescer no seu jardim, deitou-se, pensou em relaxar, pensou em encontrar saídas, pensou em se encontrar. Sabia o que queria, mas não sabia como realizar o que queria. Sabia que tudo o que era esperado, era também incerto, sabia que a felicidade ainda há pouco estava perto e que a borboleta até encostou-se em seus cabelos e afagou sua alma, sabia que precisava tranqüilizar-se e cuidar para que a grama continuasse limpa e verde e que o jardim florisse. Não queria dormir, mas não encontrava solução, enquanto acordada, então, aos poucos deixou o sono tomar conta de sua alma cansada, observou as árvores que lhe dava sombra e ouviu os passarinhos cochichando segredos que ela não tinha acesso. Sossegou, dormiu e veio o sonho.

“O vento ainda estava longe e a casa parecia segura, ela andava de um lado para o outro, como quem procura soluções que estão fora de seu alcance. A cada hora, a chuva parecia mais perto, e ela nem sequer cuidou de fechar suas portas, apenas andava de um lado para o outro. Até que decidiu parar, e esperar a tempestade que se aproximava, não tinha medo, tudo parecia mais amedrontador onde ela estava. Então o que se aproximava parecia suave, parecia confortante. As folhas voavam à medida que se aproximava o vendaval e nenhum espaço do céu, deixou de ser coberto pelas nuvens que escureciam. Ela apenas observava. As gotas fortes da chuva começou a molhar seu corpo, enquanto ela sentia o vento como que arrastar suas roupas ferozmente. Observando aquele instante atentamente, viu a figura de um homem, um homem desenraizado, livre e aventureiro. E no meio da força do vento, e no meio do barulho dos céus; Ele parou, e a olhou por alguns minutos e estendendo a mão, a chamou. Ela não sabia se devia mistura-se a ele e a força daquela chuva, mas inerte, diante da paixão que a consumiu, no contraste da água, e do fogo dos olhos da alma do amado. Ela foi. Pois o amor a pegou.”

A tarde parecia tranqüila, quando despertou do estranho sonho, que provocou seus medos. Ainda sentia a presença do amado dentro da sua alma, confusa entre o sonho e a realidade, não sabia como, mas o absorveu. Tentava lembra-se do sonho, e tentava sentir o cheiro da pele, tentava sentir o gosto, tentava, mas o que havia ficado era as pegadas do amor em seu coração. Não sabia até onde o amor a levaria, não sabia quanto tempo esperaria, não sabia se todo o sonho foi sonho. Mas queria provar o sabor do sonho, queria sentir o cheiro e o gosto, queria misturar-se. Queria ouvir os primeiros compassos da melodia do amor pela manhã, queria regar suas rosas, suas raízes sedentas e sob a lua brindar o encontro dos enamorados.

Por um momento acalmou-se, e reviveu desafios que já passou. Acalmou-se por deixar os pés, sob a grama que crescia, sentindo a vida que a cerca, percebendo a beleza de tudo que foi criado. Retratou-se com ela, ao perceber a simplicidade de seus desejos incompreendidos. Levantou e tranquilamente caminhou até sua casa, que antes parecia tão angustiante, mas que agora, estava ternamente a chamando. Ela, que se largou na chuva. Agora, precisava trocar-se, precisava sentir-se leve, precisava assim como o céu, abrir sua cor.

Da janela, viu a paisagem transformasse, e as nuvens estavam felizes, esperava a noite como se a tempestade não houvesse existido, e viu que tudo vai e vem e tudo vem e vai, e que podemos nos transformar e melhorar a cada dia viu que a lua sempre vem, mesmo em dias que ela míngua, ela vem. Então se trocou diante do espelho, se fez bonita. Sorriu pra si e resolveu cantar a canção que aprendeu com o amado. E repetiu a canção todas as horas que olhava os céus, e que cuidava de seu jardim. Estava feliz e infeliz, porém mais feliz, pois sabia que mesmo longe, ele encontraria paz.

Permaneceu cantado e lembrou-se do brilho da estrela que viu na noite passada, quando em seus pensamentos mais secretos lhe fez um pedido. Percebeu que sentia falta, falta até do beijo não dado e do abraço não trocado, falta até de ter com o que lembrar-se e então lembrou que o sonho não foi tão sonho assim, e quando saiu, no meio do jardim, em uma das folhas que se soltou durante a tempestade, encontrou: Um nome, um verso e uma jura de amor.

Já é noite, e diante da lua corada eles se encontram. O instante mágico acontece. Os olhos falaram, o sorriso foi abençoado pela luz da lua. O amor os pegou.

Lene Dantas