quinta-feira, 4 de outubro de 2012

Indiferença ou dúvida? Onde está meu amigo?



Talvez por um dia, dois ou meses. O caminho vai se estender e mais uma vez as lágrimas, estarão umedecendo seu coração. Perde-se em dias de tamanha agonia, atordoada e sem chão. Não queria a indiferença! Queria apenas o sopro da verdade! Mas, esse , fugiu, fugiu e não chega. Tudo é muito estranho e as estrelas param de iluminar o céu azul. Na noite passada, ainda sorriu com ele, na noite passada ainda escutou sua voz tão querida. Hoje, nem adeus, nem um sim, nem um não. Hoje apenas calça calçados alheios e roupas espinhosas. Amanhã poderá ver mais uma vez o Sol, mas essa dor levou-lhe um pouco do gosto bom, do sal que temperava sua vida!

Tudo agora fala comigo: As ruas, as casas e cada pessoa que encontro. É um atrás do outro, o tempo todo, e as portas, são tantas portas para escolher, que fico assim, com um tanto assim: Um tanto de dor, um tanto de dúvida, um tanto de mim e um tanto do que foi você! Não me imaginária contando essa história, se não fosse por ontem, se não fosse por uma noite, onde se perdeu o sossego. Onde a porta bateu tão forte que o eco vibrou entre as entranhas, naqueles lugares secretos, onde apenas poucos alcançam. Engraçado, você estava lá e percorreu todo esse espaço, este espaço tão meu que dividi com você. Ainda lembro quando navegou entre minhas veias que pulsando levavam as correntezas do meu eu, segredos que te contei, passagens que te mostrei, detalhes , detalhes que estiveram ali entre as noites quietas e entre as noites falantes.

Indiferença ou dúvida; O que é pior? Perguntou-me. Eu não soube responder, mas agora respondo a dor que sinto, se isso seria uma conversa ou uma escolha de como magoar-me mais. Indiferença ou dúvida? Digo-te, as duas andam de mãos dadas e são tão ruinosas como a lepra e tão venenosas como a naja. As duas seguram as mãos nas noites que fazem todo um respeito, e uma amizade serem jogadas fora, jogadas fora pela força delas, pela união maldosa e cruel daqueles que decidem usá-las. Penso: Serei eu que não entendi a pergunta? E agora estou aqui questionando minhas roupas? Hoje nem escolhi meus sapatos, nem meu batom deu brilho aos meus lábios esquecidos, nem meu cabelo mostrou-me a beleza. Hoje minhas mãos perdidas, seguram em vão um tudo que nunca existiu, escorrem a cada minuto pelos dedos, todas as conversas e risos, escorrem em ondas rápidas e às vezes em ondas lentas de lembranças, que ainda estão aqui. Lembranças que não sei se tomarão rumos diferentes em dias próximos, ou se me perseguirão como fantasmas e me farão perder o sossego sagrado do sono. Mas ainda digo, em detalhes, digo o que meus olhos fatigados enxergam. Digo que já não sei. Não sei por onde anda meu amigo. Não sei se tive um amigo. Não sei! Indiferença ou dúvida? Tu me entregastes os dois, logo a mim que sempre deixei os pratos limpos na mesa, com colheres e garfos á postos. Indiferença ou dúvida? Não sei! Não sei qual delas mata-me a alma. Não sei! Ainda assim vejo em mim, um pouco, um pouco ainda do querer acreditar que existe o bem querer, em algum lugar no meio dessa cidade, dessas praças, dessas ruas, dessas casas. Em algum lugar dentro de um quarto. Um quarto que guarda segredos tão ocultos de alguém, que se perde entre pensamentos inúteis, de querer adivinhar o motivo pelo qual outro parte, sem dizer adeus, sem dizer um não, sem dizer um sim. Sem segurar a mão do amigo e antes que a lágrima caia, o acalente com sua verdade e transforme a despedida, num ato de amor. No ato onde duas pessoas que se respeitam entendem que tudo o que foi trocado permanece, que os segredos não foram forjados, que os risos não foram forçados e que a confiança não foi destruída. Onde está meu amigo agora? Ele ainda está ali? Em algum lugar, percorrendo minhas veias? Ou na verdade nunca esteve ali, e hoje entrega em minhas mãos, toda uma história,todo um respeito, todo um carinho, trocado por indiferença e dúvida. Meu Deus! Onde está meu amigo?

Lene Dantas