sexta-feira, 8 de julho de 2011

Jura de Amor

                                     


Depois que tudo se aquietou, ela saiu e sentou-se em frente a casa, aos poucos foi juntando o silêncio do espaço e o silêncio dos seus passos. Quando conseguiu ordenar seus pensamentos embaraçados, ouviu barulhos e alvoroços, alvoroço e barulho. Não sabia ainda se preferia o silêncio, ou se preferia o alvoroço de suas idéias que gritavam interrompendo sua paz. Então resolveu fechar os olhos, ali sobre a grama verde, que começava a crescer no seu jardim, deitou-se, pensou em relaxar, pensou em encontrar saídas, pensou em se encontrar. Sabia o que queria, mas não sabia como realizar o que queria. Sabia que tudo o que era esperado, era também incerto, sabia que a felicidade ainda há pouco estava perto e que a borboleta até encostou-se em seus cabelos e afagou sua alma, sabia que precisava tranqüilizar-se e cuidar para que a grama continuasse limpa e verde e que o jardim florisse. Não queria dormir, mas não encontrava solução, enquanto acordada, então, aos poucos deixou o sono tomar conta de sua alma cansada, observou as árvores que lhe dava sombra e ouviu os passarinhos cochichando segredos que ela não tinha acesso. Sossegou, dormiu e veio o sonho.

“O vento ainda estava longe e a casa parecia segura, ela andava de um lado para o outro, como quem procura soluções que estão fora de seu alcance. A cada hora, a chuva parecia mais perto, e ela nem sequer cuidou de fechar suas portas, apenas andava de um lado para o outro. Até que decidiu parar, e esperar a tempestade que se aproximava, não tinha medo, tudo parecia mais amedrontador onde ela estava. Então o que se aproximava parecia suave, parecia confortante. As folhas voavam à medida que se aproximava o vendaval e nenhum espaço do céu, deixou de ser coberto pelas nuvens que escureciam. Ela apenas observava. As gotas fortes da chuva começou a molhar seu corpo, enquanto ela sentia o vento como que arrastar suas roupas ferozmente. Observando aquele instante atentamente, viu a figura de um homem, um homem desenraizado, livre e aventureiro. E no meio da força do vento, e no meio do barulho dos céus; Ele parou, e a olhou por alguns minutos e estendendo a mão, a chamou. Ela não sabia se devia mistura-se a ele e a força daquela chuva, mas inerte, diante da paixão que a consumiu, no contraste da água, e do fogo dos olhos da alma do amado. Ela foi. Pois o amor a pegou.”

A tarde parecia tranqüila, quando despertou do estranho sonho, que provocou seus medos. Ainda sentia a presença do amado dentro da sua alma, confusa entre o sonho e a realidade, não sabia como, mas o absorveu. Tentava lembra-se do sonho, e tentava sentir o cheiro da pele, tentava sentir o gosto, tentava, mas o que havia ficado era as pegadas do amor em seu coração. Não sabia até onde o amor a levaria, não sabia quanto tempo esperaria, não sabia se todo o sonho foi sonho. Mas queria provar o sabor do sonho, queria sentir o cheiro e o gosto, queria misturar-se. Queria ouvir os primeiros compassos da melodia do amor pela manhã, queria regar suas rosas, suas raízes sedentas e sob a lua brindar o encontro dos enamorados.

Por um momento acalmou-se, e reviveu desafios que já passou. Acalmou-se por deixar os pés, sob a grama que crescia, sentindo a vida que a cerca, percebendo a beleza de tudo que foi criado. Retratou-se com ela, ao perceber a simplicidade de seus desejos incompreendidos. Levantou e tranquilamente caminhou até sua casa, que antes parecia tão angustiante, mas que agora, estava ternamente a chamando. Ela, que se largou na chuva. Agora, precisava trocar-se, precisava sentir-se leve, precisava assim como o céu, abrir sua cor.

Da janela, viu a paisagem transformasse, e as nuvens estavam felizes, esperava a noite como se a tempestade não houvesse existido, e viu que tudo vai e vem e tudo vem e vai, e que podemos nos transformar e melhorar a cada dia viu que a lua sempre vem, mesmo em dias que ela míngua, ela vem. Então se trocou diante do espelho, se fez bonita. Sorriu pra si e resolveu cantar a canção que aprendeu com o amado. E repetiu a canção todas as horas que olhava os céus, e que cuidava de seu jardim. Estava feliz e infeliz, porém mais feliz, pois sabia que mesmo longe, ele encontraria paz.

Permaneceu cantado e lembrou-se do brilho da estrela que viu na noite passada, quando em seus pensamentos mais secretos lhe fez um pedido. Percebeu que sentia falta, falta até do beijo não dado e do abraço não trocado, falta até de ter com o que lembrar-se e então lembrou que o sonho não foi tão sonho assim, e quando saiu, no meio do jardim, em uma das folhas que se soltou durante a tempestade, encontrou: Um nome, um verso e uma jura de amor.

Já é noite, e diante da lua corada eles se encontram. O instante mágico acontece. Os olhos falaram, o sorriso foi abençoado pela luz da lua. O amor os pegou.

Lene Dantas

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