sábado, 23 de julho de 2011

UM ADEUS A LUA



“O mar sempre encontra o rio. Sim. O mar sempre encontra o rio. Então, se minha vida é um mar, também encontrarei um rio.”

Traduzo minha vida assim, desde muito tempo. Talvez por isso que teimo em certas situações, querendo fazê-las certas ou boas para mim. Hoje caminhei lentamente na praia, olhei as ondas e o mar estava agitado. É interessante ver o movimento das ondas, como mudam, no entanto não deixam de ser belas. Queria está tranqüila e aproveitar melhor esse final de tarde, mas hoje tudo está fatigante, tudo está sem ritmo. Sendo assim, sei que preciso colocar música na minha vida.

É estranho quando olhamos pra dentro de nós, e mais estranho quando sabemos onde estão todos os erros. È estranho querer libertar-se e ao mesmo tempo prender-se. Assim como é estranho, idealizar um amor. Certa vez, alguém me disse que escolhia quando amava e quando deixava de amar. Não sei se isso é mesmo possível, mas comigo, até hoje não funcionou. Minhas emoções são intensas e sei que corro riscos por elas, sofro muitas vezes por isso, mas no fundo, gosto disso. Gosto de trilhar caminhos, de fazer planos, sonho acordada o tempo todo, sonho comigo e com pessoas que desejo a minha volta.

Essa tarde, o sol está indo e sua cor vibrante já está acalmando. Logo a noite chega e estou como medo de ver a lua, pois devo despedir-me. Por muito tempo, a lua foi minha confidente, por muito tempo deixei que ela, me inebriasse com sua beleza, e me fizesse viajar pra lugares que só ela podia mostrar-me. É difícil aceitar o fim de sonhos que queríamos. Ontem pensei sobre isso! Sonhos são bons e melhor ainda realizá-los. Mas quando o sonho é dividido, e não depende só de um, tudo muda. Pois, as pessoas mudam e mudam os sonhos também. Hoje devo dizer a lua que ela não mais realizará o seu sonho, sei que ela minguará e chorando falará que isso não deve acontecer. Mas a acalmarei e lamentavelmente a farei entender que o sonho é só dela, e que o sol aquecido em seu próprio calor, não pretende encontrá-la. Talvez a verdade a faça recomeçar, talvez reconhecer que o amor não existiu, não seja fácil, mas é preciso. Às vezes, a dor nos faz cair, e às vezes a dor nos faz viver, nesse caso, o mais sensato é viver, pois o errado não foi amar, não foi entregar-se ao amor, o errado também, não foi acreditar. Na verdade, a lua encantou-se e perdeu seu encanto. Encantou-se por um sol que nunca a quis para amá-la, mas a quis para provar a si mesmo a capacidade de suas conquistas. Talvez essa verdade tão dela, também seja minha.

Hoje algo diferente aconteceu, não sinto vontade de esconder-me e nem tão pouco vontade de juntar-me a lua no seu estado minguante. Certamente feridas demoram a sarar, mas sinto que saber a verdade, me libertou. Dúvidas nos predem a situações. Agora não tenho dúvidas, sei exatamente onde pisei, e sei quem foram meus amigos e sei quem foi os que me viraram as costas. Sei também, quem me quer bem, e consigo enxergar aqueles que só me ludibriaram com palavras doces, para mais tarde deixar minha boca amarga. Infinitamente amarga. Já faz um tempo que estou assim, com esse amargo na boca. Já não conseguia definir sabores. Já não sabia que gosto eu tinha. Preciso experimentar-me novamente. Vou lançar-me no mar. E pegar um pouco de sal. Vou despedir-me da lua com um pouco de sal e um sorriso nos lábios. Quando uma etapa termina, precisamos nos preparar para próxima, e preciso está bem, preciso ter cheiro de rosa. Ultimamente eu tinha perdido minha espontaneidade, ultimamente tinha medo de como comportar-me, calculava meus passos para não perder o por do sol e na hora exata sempre estava lá o olhando e o admirando, mas embora estivesse ali, não me sentia aquecida, seus raios sempre se direcionavam para outra direção. Muitas vezes eu chorei, mas não eram lágrimas de saudades, nem de amores não correspondido, eram lágrimas de despedida. Lágrimas de saber que o que você deseja é inalcançável, de saber que você fez tudo, mas caminhou em vão. Quando eu chorava, ainda assim lutava, e tentava chegar mais cedo e pegar o sol antes que ele partisse, mas quando isso acontecia, o dia ficava nublado e ele não aparecia. Ele não queria aquecer-me. Então comecei a refletir em tudo o que era feito, em tudo que era doado, e percebi que o amor embora forte, não sobreviveria sozinho. Quando não tem troca, quando não tem coração, quando nada existe, o amor chora. E chorei em noites chuvosas, e chorei olhando a lua e chorei esperando os raios do sol. Até perceber, que palavras só alimentam quando são verdades, e que nada adiantava ouvir promessas que não iriam se cumprir, e ouvir sentimentos que não existiam. Comecei a perguntar ao mar, o que eu era. Comecei a pedir o mar, que encontrasse meu rio, pois eu precisava misturar-se. O mar não respondeu.

Quando a noite chegou, o coração sangrava, mas, estava incrivelmente calma, pois já sabia o que iria acontecer. Não tinha dúvidas. Quando olhei a lua e tentei falar, ela apontou as estrelas no céu, e disse que eu nunca estaria só. Ela minguou  Eu mingüei.

Com os olhos nublados, engoli o sussurro. Por enquanto sentada na areia, ainda a olho pensativa, olho atentamente aos desenhos que crio dentro dela. Conto os passos devagar e aos poucos se retiro. Adeus lua amada, adeus ao colostro que encontrava em meus sonhos guardados por ti. Adeus ao que eu sentia quando tu me mostravas o reflexo do amor. Porém, te falo adeus por esse momento. Pois, mais tarde me renovarei e contarei novos segredos a ti, quanto estiver bela e novamente faceira. Mas agora, digo apenas.

“Adeus lua amada.”

Não olho mais a lua. Não espero os raios do sol. Mas estou construindo, um novo caminho cercado de estrelas. Construindo um dia feliz, uma noite feliz. Construindo um novo mar, um mar que certamente encontrará o rio.


Lene Dantas


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