sexta-feira, 20 de abril de 2012

Era amor Era amor






Sem mais, chegou o fim,
E a vida se mostrou inútil.
Era amor era amor!
Cansada de sofrer, apenas resolveu esperar, esperar tudo passar e o tempo resolver as questões que a amedrontavam, afinal não parou de viver, conheceu o doce amargo e o amargo do doce e viveu emoções embrulhadas em papel de presente. Do labirinto ainda não se libertou, procura em dias e noites a saída, aflita, às vezes chora. Percebe que seus sonhos não foram ignorados apenas não foram repartidos e como é ruim se aperceber que amou alguém, alguém que ama outro alguém, alguém que nunca de verdade importou-se, alguém que ainda a deixa sem sono e que afaga suas emoções quando envia flores em sinal de amor. Sim no final, tudo foi se encaixando e talvez seu lugar seja mesmo onde está e seus sonhos apenas quiseram aventurar-se contrariando o que de verdade devia ser.
Aproximou-se dele por um instante, sentiu seu cheiro, tocou sua pele, afagou seus cabelos e o grito ficou entalado como cacos de vidro quebrados no peito, quando não pode dizer-lhe nada, pois como tudo o que teve dele, era apenas mais um sonho e ele não estava ali.
Foi varrida de um lado para o outro, cercada em quatro paredes por imagens de um filme de amor, filme que não teve fim. Canções e canções eram memorizadas e repetidas e levantava-se a noite em agonia, quando a alma amargurada lembrava-se da voz do amado, para acalmar-se imaginava que ele também se lembrava, que ele também queria então se sossegava e a madrugada não parecia tão longa, não tão longa quanto as que de um lado para o outro, passava ansiosa esperando em vão, esperando , esperando quem nunca chegaria. Nisso perdeu- se no tempo e não percebeu que tudo passou, as estrelas mudaram de tom, que as crianças mudavam de brincadeiras e que sua rua tinha outra cor, despercebida o tempo passou e tudo, tudo mudou até a primavera teve novas flores e ela inerte achava que podia mudar o mundo, muda o rumo, mudar o tempo ou trazê-lo de volta e esticava-se, esticava-se o tempo todo e o tempo corria e o tempo passava e mais longe, bem mais longe, aquele amor seguia.
Sem mais, chegou ao fim,
E á vida se mostrou inútil.
Era amor era amor!
Pegou a condução e por um momento reparou-se, seus olhos mudaram, não tinha o mesmo tom, os cabelos brincavam com o vento, diferente dela, pareciam alegres, diferente de tudo o que ainda restava dos dias de sorrisos, olhava na janela e achava tudo mais colorido quando passava depressa, os carros pareciam mais bonitos e as pessoas deixavam um rastro de mistério que a impressionava. Imaginou-se assim, e talvez e talvez, precisava caminhar mais rápido,precisava preencher os espaços que ficaram abertos, soltar-se, querer-se, amar-se; talvez reconhecer que a condução também não é mais a mesma, que ela precisa saltar, talvez sem pressa depois da pressa de achar-se. Talvez agora, precisa memorizar-se para não esquecer como chegar até ela novamente depois de tanto afastar-se de si para chegar nele. Precisa encontrar-se novamente. As luzes da cidade começaram a acender-se; No meio de tudo, encontrou amigos que sempre estiveram ali e esticaram a mão e deram os braços, fotos, piadas filmes e tudo mais que poderiam compartilhar. Mas tão insensata tão insensato seu coração, como um rio que não chega ao mar, corria sem correr e perdia-se sem notar, com isso no meio de todas as luzes acesas, via novamente o rosto do amado, suspirava e lembrava-se da voz e da canção que juntos cantaram ao amor.
Sem mais, chegou ao fim,
E á vida parecia inútil.
Era amor era amor!


Lene  Dantas

Um comentário:

  1. Leninha, dá uma passadinha lá no meu blog que tem um selinho pra vc!!!

    Beijossssssssssssssss


    http://casinhadamona.blogspot.com

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