domingo, 22 de janeiro de 2012

Notas




...Escrevendo suas verdades, soletrando suas dores; Alimentando-se do que sonhava. Partia desejando não olhar para trás, desejando limpar seus rastros, fugia fugia fugia. Mas despercebida no labirinto de emoções que ela mesma não conhecia, retornou. Deixou o coração levá-la. Procurando aconchego, um afago na alma, buscou o que lhe saciava. Porém ao encontrar, sentiu-se novamente perdida e solta num deserto frio, não teve uma mão para acolhê-la e nem um abraço para lhe deixar a vontade. Assim tornou-se intrusa no mundo que queria, intrusa no meio de tudo que ansiava.
Perdida ao perceber que mais uma vez caminhou em vão, precisa de chuva para refrescar sua alma, pois o que pode encontrar foi o espelho de um passado refletindo todas suas velhas sensações. Não pode mais ser rosa anelada, hoje é apenas uma rosa ressequida. Seu castelo ruiu e todos seus sonhos foram soterrados.
Assim, percorrendo esse espaço, sabe que já não é seu, pois o vento anuncia que novas flores encantam com graça esse jardim. E ela: Embora sonhasse, embora perdida, embora tenha retornado, embora pretendesse ser a flor encantada; Apenas agradece a beleza do que foi e pede para os céus que soprem ventos doces para que esse lugar continue bonito. Mas agora precisa encontrar-se e espera que a chuva fresca a anime, pois sabe que é hora de mais uma vez recomeçar, hora de novos sonhos, hora de novas trilhas...

Lene Dantas

Nenhum comentário:

Postar um comentário