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MEU QUERIDO

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Meu Querido Meu coração palpita Diante dos teus encantos Tu és o meu querido E por ti desfaleço de amor Seus braços como rochas Abrigam-me num abraço Adormeço ternamente Mas meu coração é desperto. Em sonhos escuto tua voz Que alimentam meus ouvidos com favo de mel E me faz entontecer entre astros. Desejo apaixonadamente sua sombra Não morrerei – Continuarei vivendo. Para por em seu coração um selo com o meu nome. ___ Lene Dantas.

CIRANDA

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Na ciranda, escapulia suas mãos das mãos. Escapulia quando mais desejava, quando mais precisava. E tudo o que queria... E tudo o que quer é: Alguém que segure sua mão. Alguém que a ache alguém.                                                   Nem o tempo resolveu suas questões. Tinha desejos alheios a ela própria o tempo todo falava de si pra si, como se o mundo não fosse além dali, não fosse além do seu quintal com todas aquelas roupas mal penduradas, levadas de um lado para o outro com o vento. Ontem foi ao centro e sentiu-se apaixonada pela fivela da sandália que virou sua gula, por um instante sentiu-se escrava como se a sandália a comprasse, como se mais tarde a sandália que fosse calça-la, como se ela pudesse entre outras...
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Que areia escorra das mãos e misture-se as águas. Que o coração seja ferido , mas não morto. Que meu amor seja seu, não por um momento, Mas por todo o tempo em que minha alma puder amar. ___ Lene Dantas

PASSOS

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PASSOS Assim delicado tão delicado como uma bolha, como a estrutura da bolha de sabão. E num piscar de olhos. Pluft! Tudo poderia acabar.  E assim as pontas trocavam-se, uma ponta na outra, a outra na ponta e ninguém mais poderia dizer, como começou e qual o fim. E o fim? Será que houve o fim? Mas, o que seria o fim além do recomeço? Era coragem. Coragem que faltava. Tinha mesmo que seguir a rua sem medo de dobrar na esquina e também não mais poderia ficar presa em círculos. Encontrar-se. Sim encontrada. Encontrando a vida, a vida que deveria ter encontrado á muito, muito tempo. Parou um pouco e soltou um suspiro. Um suspiro cansado de muitos dias. A febre voltara. Foi ao quarto e na terceira gaveta da cômoda pegou o antitérmico. Olhava seus guardados, tudo estava em plena ordem. A cabeça estava oca e não sabia o porquê de não pensar em nada lógico. Sentou-se na cama nostálgica e lembrou-se de quando sorria, sorria várias vezes, sorria um riso farto e bom. Como aqu...

HOJE É DOMINGO (INTIMA ESTRANHA)

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Começou sem saber o começo. Eram cúmplices. Andava para lá e para cá, como uma missão natural de sobrevivência. Ora ela ia, ora ele vinha, e assim se enlaçavam feito nós de corda.  Não sabiam ao certo o que ligava um ao outro, talvez um impulso de excitação, cada vez que os olhos encontravam-se arteiros, ou a mesma vontade de libertar-se de um sei lá de quê que fantasiavam. Hoje cedo, quando ela levantou-se releu o bilhete que ele lhe entregara pouco antes de despedir-se e seguir pela rua da frente, seguir com o mesmo vento, que o trazia e o levava como em círculos para sua direção, e quanto mais ela o observava, mas o percebia deixando-se levar. Ele cauteloso, dava alguns passos e olhava para trás, com aquela duvida de que ela de sua janela o estaria observando. Acenava com a mão devagar, tão devagar que parecia que imitava uma de suas histórias mirabolantes, quando contava que a pequenos e lentos passos, o homezinho despedia-se da amante. Ela, com os olhos saltitantes, ensa...

O GOSTO DO FEIJÃO

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A poeira soprando o tempo todo no tempo, e cada fragmento é uma lembrança. Está ali, neutra, como uma morta viva, como uma morta que se esqueceram de enterrar, uma morta que se esquece de partir. Sim, bem mais assim, uma morta que ficou parada no tempo e esqueceu-se de partir. As paredes sabem de cor os seus segredos e a janela é aberta, um pouco, só um pouco, assim ninguém pode roubar-lhe o sossego, o sossego que espera a cada manhã quando se despede do marido, em uma hora que parece interminável. Diria que, cada vez que ele passa a escova no dente, seria um momento roubado, um tempo, um riso. E ela, ali em meio á lençóis que conhecem o cheiro de ambos, lençóis que já secaram suas lágrimas, que já cobriram sua insegurança, que já sentiram o cheiro do seu prazer. E ali olha o relógio, são 06h30min, ainda faltam alguns minutos. Ele calmo, atravessa devagar o pequeno espaço entre o quarto e a cozinha, toma um pouco de café, dirige-se a sala, liga a TV e em alguns minutos aproveita ...

Indiferença ou dúvida? Onde está meu amigo?

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Talvez por um dia, dois ou meses. O caminho vai se estender e mais uma vez as lágrimas, estarão umedecendo seu coração. Perde-se em dias de tamanha agonia, atordoada e sem chão. Não queria a indiferença! Queria apenas o sopro da verdade!  Mas, esse , fugiu, fugiu e não chega. Tudo é muito estranho e as estrelas param de iluminar o céu azul. Na noite passada, ainda sorriu com ele, na noite passada ainda escutou sua voz tão querida. Hoje, nem adeus, nem um sim, nem um não. Hoje apenas calça calçados alheios e roupas espinhosas. Amanhã poderá ver mais uma vez o Sol, mas essa dor levou-lhe um pouco do gosto bom, do sal que temperava sua vida! Tudo agora fala comigo: As ruas, as casas e cada pessoa que encontro. É um atrás do outro, o tempo todo, e as portas, são tantas portas para escolher, que fico assim, com um tanto assim: Um tanto de dor, um tanto de dúvida, um tanto de mim e um tanto do que foi você! Não me imaginária contando essa história, se não fosse por ontem, se n...